
No último encontro do grupo de estudo e trabalho constelação sistêmica em 12 etapas, percebi a dificuldade dos participantes responderem, quando questionei os resultados de uma tarefa de casa. Tinha pessoas que trabalharam e até colocaram as respostas no nosso fórum, estes estavam salvos, o resto precisava se explicar. Isto pelo menos era a minha impressão. Foi muito interessante em perceber como era difícil para as pessoas simplesmente dizer: eu não fiz. Isto me chamou muita atenção, especialmente porque já saímos da escola, todos são adultos e responsáveis por si mesmos, tem a própria família, criaram ou estão criando filhos, estão no meio da vida, e mesmo assim continua sendo difícil ser honesto. E não se trata de ser honesto comigo, se trata de ser honesto consigo mesmo. Com certeza o trabalho pode fluir melhor, se as pessoas participam mais, porém para quem é a tarefa de casa?
Quantas vezes vejo minha filha fazendo lição para o professor, para ser aceita, ser reconhecida, porque fez o certo, e deixar de perceber que a lição que está fazendo é para ela aprender… e não para tirar nota ou ser elogiada. Queria dizer que desta forma a lição não traz o efeito desejado, mas aí me colocaria acima da outra pessoa e da forma dela aprender, e isto não me pertence. Mesmo assim vejo como um hábito arraigado, ver o errado ou incompleto no outro, e ainda achar que eu sei melhor. Tudo faz parte do aprendizado, que é único para cada um, e depende da busca individual. Não tem o certo ou errado. Tem um caminho individual a ser trilhado, de uma forma individual.
No dia após a aula decidi cortar as bananeiras no fundo de casa. Gosto muito de mexer com as plantas, estar na natureza, e às vezes faz parte podar as plantas. Comecei e peguei gosto. A tarefa era cortar as bananeiras que estavam apodrecendo, como também as que já deram bananas, para ter espaço para os novos brotos se desenvolverem. Já tinha cortado vários troncos, quando cheguei a um bem grande e forte. Admirei a força dele e até me espantei em ver que já tinha dado bananas. Significava que precisava ser cortado. Fiz o primeiro corte, e a sensação era bem diferente dos outros cortes que eu fiz até então, mas já tinha passado pela metade do tronco. Terminei com a minha obra e arrastei a peça cortada para a grama onde se confirmou a minha suspeita, tinha cortada uma planta que ainda não tinha dado bananas. Fiquei chocada! Tinha olhado antes, mas a parte seca que eu tinha avistado não era desta planta, era da planta vizinha. Me passou pela cabeça: oh não, matei a planta! Senti-me culpada por ter terminado com a vida da bananeira precocemente, e comecei a escondê-la embaixo de outras bananeiras. Mas para que eu estava fazendo isto? Eu estava sozinha no quintal, ninguém tinha me observado, ninguém sabia o que eu tinha feito… Mesmo assim queria esconder, fazer de conta que não tinha feito nada de errado. Eu me culpei e julguei ao mesmo tempo. Minha consciência pesava, mas não tinha mais o que ser feito. Olhei pelo o toco do tronco que parecia reclamar contra a injustiça, colocando uma parte interna para fora. Ao contrário das outras bananeiras. Não tinha o que fazer, além de um… sinto muito…
Neste momento lembrei da experiência com os participantes do curso na noite anterior, e como é difícil assumir os próprios atos ou deslizes. Sim, eu cortei a bananeira, e não tem nada no mundo que pode desfazer isto. E é até engraçado, já que “somente” se trata de uma bananeira, mas muitas vezes procuramos esconder coisas ainda menores. Por tão pouco pagamos um preço tão caro, ao esconder de nós mesmos o que ocorreu, nós nos afastamos cada vez mais da nossa essência, e assim, do que estamos buscando. Só tirando os empecilhos que nós mesmos colocamos, teremos a chance de enxergar o caminho para a realização.
E é isto que eu desejo para você: ter a coragem e o prazer de ir ao encontro da própria realização, tirar as pedras da ilusão, em vez de colocar novas e ainda pintá-las, achando que isto deixa a barreira mais agradável e aconchegante. Tenha coragem de ser quem realmente é. Você vai se surpreender com o resultado.
Theresa Spyra
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