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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

BOA CONSCIÊNCIA


Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensas diante de Deus e dos homens. (Atos 24:16)

Existe algo de extrema importância na nossa vida espiritual que é a nossa consciência. No Hebraico a palavra LEB ou LEV, que é a mesma palavra utilizada para coração, é traduzida pelo dicionário Strong como consciência, e tem, também, as seguintes conotações: ser interior, mente, vontade, coração, inteligência, parte interior, meio (das coisas), conhecimento, razão, reflexão, memória, inclinação, resolução, determinação (da vontade), como lugar dos desejos, das emoções e das paixões. (uma variação Labab, sig. tornar-se inteligente).

No grego, temos a palavra aproskopos, que é utilizada no texto acima, a qual tem o significado: o que nada tem para bater contra ou fazer tropeçar, que não causa tropeço; um caminho plano; metáf. que não conduz outros ao pecado pelo modo de vida que leva; que não bate contra ou faz tropeçar; metáf. não arrastado ao pecado, sem culpa; sem ofensa, não pertubado por uma consciência de pecado.

Ora, uma das preocupações mais fortes do Apóstolo Paulo era sempre dar um bom testemunho de sua fé, não só através de suas pregações e cartas, mas também através de sua própria vida. E esta também foi a preocupação de Jesus, de deixar um exemplo de vida a ser seguido. Ou seja, todos entenderam que dar um bom exemplo de vida é muito mais importante do que tudo o que possamos dizer ou ensinar para as pessoas. Uma boa consciência era considerada por Paulo crucial para validar suas cartas e viagens missionárias. Havia muita coisa em jogo, muitas pessoas se levantavam contra o ministério de Paulo e, caso ele não tivesse um bom procedimento, com certeza ele não teria sido conhecido hoje como o Apóstolo dos Gentios e nem suas cartas seriam partes importantes do Novo Testamento.

A consciência é algo que, ou nos condena diante de Deus e dos homens, ou nos mostra que estamos vivendo com sinceridade e firmeza de propósito. Como pudemos ver acima, ela está relacionada ao nosso homem interior e ao bom uso de nossa vontade, indicando a inclinação ou rumo para o qual nossas vidas estão sendo levadas. Andar com boa consciência nos permite avançar com firmeza para a presença de Deus (Salmo 24 – limpo de mãos e puro de coração).

Ter uma boa consciência é fundamental para o nosso relacionamento com Deus. Podemos dizer que quanto mais pura é nossa consciência, maior é o nosso relacionamento com o Senhor e é o fator fundamental para o nosso crescimento espiritual. Deste modo, quanto mais nos apegamos a certos pensamentos e padrões de comportamento errados, mais longe estamos do Senhor e mais inútil e vazia se torna a nossa adoração, culto e obras que realizamos no Templo. Se não andarmos com Deus e não nos relacionarmos com Ele da maneira correta, a nossa consciência será contaminada.

Paulo escreveu ao seu discípulo Timóteo que: “Mas o fim desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência (suneidesis), e de uma fé não fingida; das quais coisas alguns se desviaram, e se entregaram a discursos vãos, (...)Esta admoestação te dirijo, filho Timóteo, que segundo as profecias que houve acerca de ti, por elas pelejes a boa peleja, conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé;” (I Tm 1:5-6;18-19) (a palavra grega suneidesis significa a alma como diferenciadora entre o que é moralmente bom e mal, impulsando para fazer o primeiro e evitar o último, glorificando um, condenando o outro)

Veja que é necessário não só ter consciência, mas uma BOA consciência, que permite termos uma fé não fingida e impede de desviarmos da verdadeira fé. O detalhe desta epístola é que muitos rejeitaram a boa consciência e naufragaram na fé. Isto é algo estarrecedor, pois é justamente o que vemos acontecer nos dias de hoje com as pessoas. Muitos vêm para a Igreja, fazem uma oração declarando sua fé em Jesus Cristo como sendo seu único Senhor e suficiente salvador, começam a freqüentar as reuniões e muitos até se dispõem a servir na Igreja, a liderar outras pessoas etc.

No entanto, como não estão com uma boa consciência perante Deus e os homens, começam a naufragar em sua fé, tornando-se ou religiosos de carteirinha, ou simplesmente se afastam do Corpo sob a alegação de que a Igreja os estava sufocando e tolhendo seus desejos e ações.

Acontece que não é a Igreja que sufoca os seus desejos e ações (embora tenham algumas que tentem fazer isso através de usos e costumes) o que nos sufoca é a nossa consciência que nos acusa, todos os dias, como aquela luz que pisca no painel do carro quando a gasolina está acabando. Podemos até ignorar a luz que indica o fim do combustível, mas não poderemos ignorar quando o carro parar de andar e não mais querer funcionar por falta de combustível. Do mesmo modo, podemos ignorar os alertas que o Espírito Santo nos dá através da voz da consciência, e continuarmos andando e adentrando na estrada do pecado, o problema é que, quando o combustível da fé, que vem de um relacionamento com Deus, se acabar, estaremos em apuros, pois a estrada do pecado tem um enorme e quase intransponível deserto ao seu redor e o caminho de volta será uma longa e cansativa caminhada. Infelizmente, muitos morrem neste deserto e jamais voltam para o caminho da verdade.

Precisamos ter uma boa consciência e, mais do que isso, é necessário que esta ela esteja no governo de nossas ações. É ela quem vigia os nossos pensamentos e nos alerta para as nossas ações. Imagine a sua mente como uma fábrica de grande escala de produção de pensamentos e a consciência é o controle de qualidade desta indústria, se matarmos a nossa consciência, nossa mente começa a produzir e enviar todo tipo de pensamentos defeituosos que podem acabar com a nossa vida. Por isso, ela deve ficar bem na porta de saída da mente, controlando tudo o que está sendo produzido. A Bíblia diz em Provérbios 4:23, que: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.”

A consciência nos avisa do perigo, de que algo não vai bem ou que vai dar errado. Em Hebreus 10:23, está escrito que devemos chegar a Deus com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa”. Ou seja, precisamos abrir mão das obras mortas da carne, de toda mentira e falta de integridade para que possamos nos achegar a Deus. E o que são obras mortas? É tudo aquilo que fazemos na nossa própria força; tudo o que fazemos sem estarmos com a consciência limpa diante de Deus; ou sem resolver nosso passado de pecado e tudo que não seja direcionado pelo Espírito Santo, são coisas que não contam na economia de Deus. Mesmo que ganharmos mil almas para Jesus, se não for dentro de uma direção clara do Espírito Santo, não conta para Deus.

Em I Timóteo 4:1-2, Paulo diz: “MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;” Este texto não está falando de pessoas de fora da Igreja, mas de pessoas dentro da Igreja, apostatando a fé e seguindo a espíritos enganadores e doutrinas demoníacas. Tal atitude vem de homens mentirosos que têm sua consciência cauterizada, ou seja, nossa consciência pode boa, má ou, pior, estar cauterizada. Cauterizar significa destruir, extirpar, queimar. Seria uma mente destruída, queimada pelo pecado e pelo engano.

Por outro lado, temos que fugir também de uma consciência legalista e acusadora. Tem pessoas que são tão legalistas que se o pastor convidado não estiver de terno e gravata, ele não pode pregar em suas igrejas. Como se o terno e a gravata tivessem o poder de tornar o homem mais limpo diante de Deus. Outros, somente aceitam que uma mulher se converteu de verdade, se ela parar de usar brinco, passar batom, usar certos tipos de roupa etc. Outros acham que o culto deve sempre ser assim: Uma oração de abertura, um período de louvor, a Palavra, o momento dos dízimos e ofertas e a bênção apostólica no final. Se o culto não seguir este padrão, ele não sente que foi abençoado e vai para casa aborrecido. Ora, a Bíblia nos ensina que onde está o Espírito do Senhor há liberdade. Também diz: “Porque não recebemos o espírito de escravidão para estarmos outra vez em temor; mas recebemos o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Abba, Pai!”. Somos filhos de Deus, por isso andamos de boa consciência, porque o nosso Pai celestial nos purificou de todo pecado e nos vivificou novamente em Cristo.

Vejamos o que Paulo diz aos Romanos: “Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei (porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos são lei. Pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os), no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus, segundo o meu evangelho. (2:13-16)

É maravilhoso ver como a Bíblia é coerente em tudo quanto ensina. Por um lado diz que não somos salvos pelas obras da lei, por outro diz que a salvação verdadeira produz em nós uma santificação, sem a qual ninguém verá a Deus e passamos a obedecer a Lei de Deus não de forma mecânica e baseada no medo, mas por termos esta Lei gravada em nossos corações. “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que em santidade e sinceridade de Deus, não em sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e mormente em relação a vós.” (II Co 1:12)

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