Este é o testemunho de Renato Pimentel, um homem que conheceu de perto e se relacionou diretamente com as manifestações mais malignas das trevas. Servindo ao diabo, declarou ódio ao bispo Macedo, chegando a persegui-lo pessoalmente. Hoje, ele é um membro fiel da IURD de Botafogo, no Rio de Janeiro. Leia também os capítulos 1, 2 e 3 do testemunho.
Fiquei obcecado em capturar o bispo Macedo. Seguia os passos dele como um cão farejador. Estava sempre com as antenas ligadas tentando captar alguma informação que pudesse me levar até ele.
Permaneci nesta intenção até que aconteceu a prisão dele em São Paulo. Foi uma frustração total para mim não ter realizado tal feito. Era uma questão de honra, pois nunca, em toda a minha vida policial, eu havia falhado em uma missão. Mas os planos de Deus eram outros. O tempo foi passando e aquele ódio todo pelo bispo foi diminuindo, porém, sempre com o ranço de que a Igreja Universal do Reino de Deus era uma seita de canalhas, conforme havia sido mostrado naquele programa de televisão, e que todos os pastores eram ladrões e os fiéis eram bitolados, que haviam passado por lavagem cerebral, e deixavam todo o seu salário naquelas sacolinhas vermelhas. A minha visão pela obra da Igreja Universal era assim até 5 anos atrás. Mas Deus já estava movimentando as águas para que minha vida tomasse outro rumo e eu me convertesse a Ele. Era só uma questão de tempo.
Continuava frequentando o terreiro de macumba diariamente. Eu, minha esposa e minha sogra. E, de vez em quando, ainda levava meu filho.
Tinha verdadeira adoração e admiração pelos demônios e suas obras malignas. Cheguei ao cúmulo de fazer um pacto com o chefe deles, lúcifer, para que me protegesse e fechasse o meu corpo de todos os males. Ele me dizia que com ele me protegendo, mal nenhum iria acontecer. Realmente, as coisas não aconteciam por completo, só pela metade. Ele fazia as coisas acontecerem, porém não deixava que elas se finalizassem de forma trágica, só para poder me mostrar e falar que ele havia me defendido e protegido. Realmente, o diabo é um canalha, um imundo. Faz as coisas acontecerem e as interrompe no meio do evento, só para provar que é o maioral, que te protegeu. É um derrotado, isso sim.
Aconteceu-me um fato, por sinal muito sério, mas que hoje eu compreendo o porquê do ocorrido. Era uma quinta-feira, por volta da meia-noite, e eu estava de moto, regressando para casa, quando do nada surgiram dois carros e outra moto no sinal. Eu estava totalmente distraído e, quando dei por mim, já estava com dois revólveres na cabeça. O assaltante mandou-me descer logo da moto senão iria atirar. Olhei bem dentro dos olhos do cidadão e do nada falei para ele: “Atira, seu otário. Quero ver se tu tens esta disposição toda!” Eu só ouvia o barulho de metal com metal. O cara apertou o gatilho por inúmeras vezes e nenhum disparo aconteceu.
Fiquei totalmente paralisado com a situação e em fração de segundos percebi a loucura que havia dito e das consequências que poderiam ter acontecido pela minha imprudência. De imediato, reparei que o assaltante saiu correndo, subindo na garupa da moto, gritando para que saíssem dali logo.
Não tinha sido eu que havia dito aquilo. Eu jamais diria uma coisa daquela e agiria daquele jeito. Nunca! Nunca mesmo!
Cheguei em casa não sei como. Minhas pernas tremiam como varas verdes. Parecia que meu coração iria saltar do meu peito. Peguei o telefone e liguei para a minha mulher, contando o ocorrido. Ela ficou muito assustada e pediu-me que ficasse em casa e não fosse encontrá-la como havíamos combinado. Que nos veríamos no dia seguinte.
Foi o que fiz. Não comentei este assunto com mais ninguém. Nem a minha sogra soube. Minha mãe muito menos. Inclusive, não fui à delegacia fazer o registro pois foi na época em que o Rio de Janeiro passava por uma fase atribulada, em que as facções criminosas estavam realizando atentados contra as dependências policiais. A coisa passou e na segunda-feira seguinte era dia de sessão dos exus lá no centro. Foi só botar o pé lá dentro que o capeta chefe de lá mandou me chamar e começou a falar sobre o fato ocorrido na quinta-feira. Ele me disse que estava lá e não havia deixado nada me acontecer porque eu era fiel a ele e o servia com dedicação. Que ele é quem havia falado para o cara atirar e que fez a munição falhar. E também, que uma amiga minha, que havia falecido recentemente em um acidente de carro na Barra da Tijuca, estava ao meu lado e pediu a ele que não deixasse que nada de ruim me acontecesse, por isso, ele resolveu intervir por mim.
Em relação a essa amiga, realmente ela havia morrido de acidente de carro, dias antes, na Barra da Tijuca, comemorando a vitória do jogo do Brasil. Éramos muito amigos mesmo. E ninguém lá no centro sabia dessa nossa amizade a não ser eu e minha mulher.
A partir daí, minha admiração pelos encostos aumentou de forma absurda. Servia a eles incondicionalmente. Quando ia beber nos botequins da vida, sempre pedia um copo a mais, enchia-o até a boca e o deixava em cima do balcão. Logo após, vinha alguém do nada e bebia. Não dava nem tempo da bebida esquentar. Ninguém entendia nada. Da mesma forma que a figura surgia, ela sumia. Parecia mágica.
Por muitas vezes, ele se materializava e ficava horas conversando comigo sentado ao meu lado. Falávamos de todos os assuntos possíveis e imagináveis. Era uma coisa engraçada, pois parecia que ficávamos invisíveis às outras pessoas, pois passavam por nós e era como se não estivéssemos lá. É meio difícil de explicar. As pessoas nos viam, mas não iam até nós para conversar. Com isso, comecei a ficar solitário. Meus amigos se afastaram de mim. Não tinha mais ninguém com quem sair e conversar e a cada dia que passava, eu e minha mulher nos distanciávamos mais um do outro. Não conseguíamos mais nos falar. Vivíamos outra vez o verdadeiro inferno conjugal. Ela estava grávida da nossa filha e, de uma hora para a outra, afastou-se de vez da macumba. Não queria ir de jeito nenhum para lá. Não tinha quem conseguisse fazê-la botar os pés dentro de um centro espírita. Parou de fumar e beber, porém ainda não havia largado de vez os espíritos.
Ainda tínhamos dentro da nossa casa, no quarto de empregada, um altar no qual colocávamos bebidas, doces e frutos para os espíritos e, acreditem, o quarto vivia cheio de morcegos que iam lá beber e comer das oferendas.
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